Sálvio de Figueiredo Teixeira nasceu em Pedra Azul, MG, em 5 de
maio de 1939.
A história da educação judicial no Brasil se
confunde com a trajetória de um magistrado que, antes de tudo, era um
professor. Em seus mais de quarenta anos de magistratura, Sálvio de Figueiredo
Teixeira fez da qualificação dos juízes brasileiros uma bandeira. Seu grande
sonho foi concretizado com a instalação da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de
Magistrados (Enfam), instituição que agora carrega seu nome. O
mineiro de Pedra Azul abraçou a educação antes de entrar no mundo do Direito.
Foi na pequena cidade de Sacramento, próximo à turística Araxá, que o futuro
ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) iniciou a carreira de professor,
lecionando Inglês, Português e Literatura numa escola secundária. A obsessão
com o ensino não diminuiu depois de uma bem sucedida trajetória acadêmica na
Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) onde, entre a graduação e o
doutorado, especializou-se em Direito Público.
Aos 27 anos foi aprovado para a
magistratura no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). Foi lá que começou
o trabalho pioneiro de desenvolvimento da Educação Judicial no Brasil. Em 1972,
recebeu uma bolsa da Universidade de Lisboa. Aproveitou a estadia na Europa
para conhecer a fundo os modelos de escolas para magistrados que estavam se
consolidando em Portugal, na Espanha e na França.
Voltou ao Brasil convencido de
que era imprescindível melhorar a qualificação dos jovens juízes. Ele mesmo
havia sofrido com a falta de experiência e conhecimento ao ter de presidir uma
eleição municipal logo após assumir a comarca de Passa Tempo. Organizou, por
conta própria, apostilas com modelos de sentença, petições e outras informações
úteis para a atividade judicante.
Sálvio de Figueiredo recebeu o
incentivo do desembargador Edésio Fernandes, então presidente do TJMG, para
iniciar as primeiras experiências oficiais de cursos de iniciação para juízes
novatos e reciclagem para os veteranos. Em 1977, a corte mineira inaugurava
primeira escola judicial do país coordenada diretamente por um Tribunal. Essa
foi apenas a primeira das várias vitórias de Sálvio na área da Educação. Foi
professor de Direito Civil na UFMG e na Universidade de Brasília (UnB). Também
fundou a prestigiada Faculdade de Direito Milton Campos de Belo Horizonte.
Dirigiu a Escola Nacional da Magistratura (ENM) da Associação dos Magistrados
Brasileiros (AMB) por quase dez anos. Tal experiência foi decisiva para o
magistrado conceber a instituição que viria a ser a Enfam.
O ministro Sidnei Beneti, do STJ,
substituiu Sálvio de Figueiredo no comando da ENM. O magistrado ressalta a
generosidade do mestre em reconhecer o mérito de colegas e colaboradores.
“Essas atitudes faziam que ele fosse respeitado por todos. Sálvio dizia que a
criação de uma escola para os magistrados era sua missão de vida e, mesmo com
todas as dificuldades, ele conseguiu. Sálvio fazia a diferença”, afirmou.
A ministra Eliana Calmon, é outra
que nutre extrema gratidão ao ministro Sálvio. Foi ele quem deu apoio decisivo
à ministra no então incipiente projeto de implantação da Escola da Magistratura
do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), no fim dos anos 1980. “Devo
muito da minha carreira ao ministro Sálvio. Aprendi com ele a ser uma
magistrada melhor e a valorizar a educação permanente da magistratura”,
destacou. Sálvio de Figueiredo reuniu notáveis da magistratura e da academia
para conceber o projeto de criação da Enfam – tornado realidade com a reforma
do Judiciário prevista na Emenda Constitucional n. 45 de 2004. “Ele não fazia
distinção entre as pessoas, de que estados viam ou cargo que ocupavam. O que
ele exigia era dedicação e comprometimento com o trabalho”, revela Simone
Ribeiro, viúva do ministro.
Sálvio também comandou a equipe
que elaborou o projeto pedagógico da Enfam. Entretanto, o ministro nunca chegou
a dirigir a instituição. Um acidente vascular cerebral (AVC) fez com que o
visionário da educação judicial tivesse de se aposentar em 2006.
Mesmo com limitações físicas, Sálvio
de Figueiredo continuou trabalhando pela educação dos juízes brasileiros.
Sidnei Beneti lembra que, em seu último encontro com o ministro, ele dizia
estar planejando a organização de cursos para magistrados em Israel e em
Portugal. “Apesar dos problemas de fala e dificuldades para escrita, ele ainda
tinha planos e ideias. Como dito na obra ‘Grande Sertão Veredas’, é pra frente
que se anda, especialmente se tratando de Sálvio”, completou.
Sálvio Figueiredo faleceu no dia
15 de fevereiro de 2013 aos 74 anos. Por iniciativa da ministra Eliana Calmon,
a Enfam agregou o nome do magistrado em sua nomenclatura oficial.
Fonte: Wikipedia.
Foto: Ministro Sálvio de Figueredo
Teixeira e Esdras Dantas de Souza (1990)
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